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01. ago de 2018
DICAS HELP

Leite materno, o carinho que vem do peito

Entramos na Semana Mundial da Amamentação. A data foi criada em 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 1990, juntamente com a  UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) criou um documento chamado Declaração de Innocenti, que tinha entre seus principais objetivos criar comitês nacionais de amamentação e adotar legislação para proteger o aleitamento materno no trabalho.

Tamanha preocupação tem fundamento: o leite materno é o mais completo para o bebê e, até os seis meses de idade a criança não precisa de nenhum outro alimento. “O leite maduro é capaz de suprir por si só todas as necessidades de alimentação e hidratação da criança até os seis meses e a OMS e o Ministério da Saúde aconselham manter o aleitamento até pelo menos os dois anos de vida”, explica a Dra. Agustina Nigro, médica do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Ela ressalta também que a amamentação evita e reduz a gravidade de diarreias, infecções respiratórias e alergias como asma e dermatites.

Alimento extremamente democrático, o leite materno tem composição muito similar em todas as mães, podendo apresentar variações de sabor e composição de acordo com os hábitos de vida da progenitora. “Por isso é especialmente importante um estilo de vida saudável e uma boa hidratação durante a gestação e o período da amamentação”, orienta a médica. Segundo ela, a constituição do leite é tão perfeita que vai se adaptando de acordo com as fases de desenvolvimento da criança. A quantidade gerada também varia. Nos primeiros dias de vida, a produção diária fica em torno de 100ml e pode chegar aos 800 ml no sexto mês de vida do bebê.

“Nos primeiros cinco dias após o parto é gerado o “colostro”, que é o leite imaturo, mais ralo e amarelado e contém mais proteínas e menos gordura. Esse leite é muito importante para a prevenção de doenças como icterícia.  Depois vem o leite de transição, que surge entre o quinto dia e a segunda semana após o parto”, explica a profissional.

 

Dra. Agustina ressalta que o leite maduro – o mais definitivo da relação mamãe/bebê – é geralmente secretado a partir da segunda semana de vida da criança e trará benefícios no ganho de peso, crescimento e desenvolvimento correto do indivíduo. O fluído é capaz de suprir por si só todas as necessidades de alimentação e hidratação da criança até os 6 meses de vida e recomenda-se que a primeira “dose” seja dada já primeira hora após o parto. “Não se conhece exatamente os mecanismos, porém acredita-se que as crianças alimentadas no seio materno apresentam melhor desenvolvimento e crescimento do cérebro, beneficiando um melhor desenvolvimento cognitivo. O aleitamento traz também vantagens na evolução da cavidade oral e dos dentes, estimulando as corretas funções orais como mastigação, deglutição e fala”, explica a médica.

Além da questão nutricional, é provado que o ato da amamentação gera afeto e reforça elos e conexões familiares. “O ato de amamentar favorece o vínculo entre mãe e filho, fortalece laços afetivos e tem efeito positivo no desenvolvimento da inteligência. Bebês que mamam no seio materno desenvolvem maior sentimento de segurança e proteção do que as crianças alimentadas com fórmulas infantis”, diz a especialista

A opinião é endossada por Karine Nunes, mãe de primeira viagem do pequeno Guilherme, de quatro meses. “É inexplicável ser fonte de alimento para outro ser. Ele ali coladinho em mim, crescendo graças ao meu alimento é a coisa mais fantástica que pode existir. Vejo que ele me olha apaixonado quando termina o mamá”, conta Karine. Sobre o tabu de amamentar em locais públicos, ela é taxativa:  “Amamento em qualquer lugar, não estou nem aí. Nunca me senti intimidada, e se for, vou reagir”, garante.

Karine e Guilherme na hora do mamá.

Outra mãe que não abre mão do alimentar seu rebento é a publicitária Natalia Fresina, mãe da Joana, que completou dois meses. “É um prazer muito íntimo e amoroso, ver o leite que vem do meu corpo alimentar a minha filha. Dá vontade de chorar só de falar. São detalhes, desde o calor do colo, até o ângulo que a gente se olha bem no fundo do olho enquanto ela mama. É muito um momento de estabelecimento de vínculo e de troca de amor, esse é o maior prazer e é bem difícil descrever.  É a natureza concretizando um papel novo e intransferível pra mulher, o de mãe”, revela Natalia.

Não é só a criança que sai ganhando com a amamentação. A saúde da lactante também é reforçada durante o período. “Quando o ambiente é favorável, a mulher encontra no ato de amamentar um momento de paz e de interação afetiva com seu filho. Traz para ela também sentimentos de realização e segurança. Quando iniciado imediatamente após o nascimento, o aleitamento favorece a descida da placenta e diminui os riscos de hemorragia pós-parto”, garante Dra. Agustina. A médica também informa que a mulher que amamenta tem redução do risco de diabetes mellitus, câncer de mama e ovário, além de ficar mais protegida contra anemia e algumas fraturas durante a menopausa (remineralização óssea).

Para que todos os benefícios da amamentação sejam desfrutados em sua plenitude, a médica recomenda que a mãe e seu parceiro ou parceira precisam conhecer seus direitos e as políticas que protegem o aleitamento.

A licença maternidade no Brasil é de 120 dias, podendo se estender até seis meses nas organizações que aderem ao programa de Empresa Cidadã. É importante ressaltar que no Brasil a mulher tem direito de receber  100% do seu salário durante o período de afastamento. Outras políticas que favorecem o aleitamento são: o direito à creche durante o período de amamentação, direito à garantia de emprego, o direito a dois descansos de 30 minutos por jornada de trabalho até os seis meses de vida do bebê, além da proibição da propaganda de fórmulas infantis.

Para Agustina os pais também têm responsabilidade e não devem se ausentar durante a fase de aleitamento. “Acredito que a licença paternidade é um fator altamente importante nesse período e que, infelizmente, é de apenas 5 dias, o qual dista grandemente de um cenário ideal no favorecimento da amamentação nos primeiros meses de vida do bebê”, opina a especialista.

E QUANDO NÃO SE PODE AMAMENTAR?

Apesar de todos os benefícios físicos e afetivos para mamães e bebês, em alguns casos específicos o aleitamento materno não é indicado ou deve ser realizado sob estrita orientação médica. Algumas dessas situações são a infecção materna pelos vírus de HIV, HTLV1 e HTLV2, crianças com galactosemia ou intolerância à lactose, algumas infecções  graves e lesões de herpes ativas nas mamas. O uso de alguns medicamentos de prescrição médica e o abuso de álcool e outras drogas também podem ser impeditivos.

“Nos casos nos quais não é possível a amamentação a opção alternativa dependerá do motivo que provocou essa contraindicação. Por exemplo, em algumas situações pode se optar por ordenhar o leite da mãe e oferecer em copinho, mamadeiras, ou até sondas. Por outro lado em algumas situações pode se optar por fórmulas infantis adequadas para a idade  , características e necessidades de cada criança”, finaliza a médica.

 

 

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