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10. set de 2018
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Setembro Amarelo: precisamos conversar sobre depressão e suicídio

O Setembro Amarelo foi criado para promover a prevenção ao suicídio. Iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, a campanha surgiu em 2015 para promover debates e conversas sobre o tema. Segundo dados do CVV (188), a cada 45 minutos um brasileiro tira a própria vida, gerando uma estatística de mortes muito superior a vários casos de câncer, por exemplo. No entanto, grande parte dos casos pode ser evitada com atenção, conversa e tratamento adequados.

Para alguns especialistas, a depressão ainda é a principal porta de entrada para agravos que geram os suicídios, mas há outros diagnósticos e sinais que precisam receber atenção. “Na realidade, não existe um perfil. A maioria das pessoas que comete suicídio tinha algum transtorno mental tratável, mas há outros indícios”, explica a médica psiquiatra Greice Miranda de Oliveira, da Clínica Fogaça, de Florianópolis. Prejuízos financeiros, problemas no trabalho e nos negócios e a perda de entes queridos também são fatores a serem observados. “São situações em que a pessoa se vê sem saída”, complementa a médica. Ainda segundo a profissional, pacientes com doenças como transtorno borderline e esquizofrenia precisam de ainda mais atenção.

Além de sintomas e histórico, algumas atitudes e falas também devem ser observadas por quem convive com quem está passando por sofrimento. Expressões como “Eu gostaria de desaparecer” ou “Queria dormir e não acordar mais” podem ser ditas em situações em que há a sensação de não haver saída para problemas e crises. “Há pequenos indícios de fala e às vezes a pessoa tenta dar um grande sinal. Existe o suicídio do impulso, mas a maior parte dos suicídios é evitável”, explica Dra. Greice.

É por essas várias nuances que a médica aponta que o tratamento da saúde mental precisa ser visto de forma ampla, o que não envolve apenas medicamentos. “Praticar esportes, procurar o convívio com a família e os amigos, estudar, buscar coisas que deixam nossa vida mais rica”, aconselha a profissional.

Em conjunto com o aconselhamento profissional, é preciso também tirar o véu de estigma e preconceito que há sobre o assunto. “Doença mental não é frescura, não é falta do que fazer. Há pacientes que chegam ao consultório relatando que ouviram de familiares próximos que o que eles estão sentindo é preguiça, falta de fé, falta de amor por si mesmo. Não se cura hipertensão com amor no coração ou vontade de viver, é preciso tratamento. Com a doença mental é a mesma coisa”, orienta Greice.

Assim, o auxílio pode começar antes mesmo de se entrar no consultório. Para a médica, uma conversa franca pode ajudar a salvar vidas. “Chegar na pessoa e perguntar “como você está”, ‘o que está acontecendo?’, ‘você precisa de ajuda?’. Acompanhar  a pessoa até uma consulta. Às vezes ela não tem coragem de ir por não saber como funciona, às vezes não tem forças para ir”.

Entre os recursos disponíveis a todos e gratuitamente, Greice destaca o valor do trabalho do CVV, que presta atendimento telefônico durante 24h por dia para quem precisar de ajuda. “Muitas vezes a pessoa não sabe o que fazer, quem procurar ou aonde ir e o CVV é um canal disponível o tempo todo, sem feriado, sem fim de semana, não tem hora, nem chuva, nem frio. A pessoa que está do outro lado estará te ouvindo de forma gentil, sem julgamentos e vai ajudar a procurar auxílio”, orienta.

Para ela, o suicídio é um ato definitivo para situações e sofrimentos que são temporários. “Não interessa o que esteja acontecendo na sua vida, se é uma perda financeira, uma doença, uma doença na família… a sensação de que não há saída é apenas uma sensação. O suicídio vai te tirar daqui e você não vai ter a parte boa do mundo”, finaliza Greice.

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